Em coletiva no Rio de Janeiro, o produtor explicou que os dois filmes exploram reflexões distintas sobre a condição humana. Para ele, a pergunta que move cada personagem é o que os torna únicos.
Eles compartilham o mesmo sangue kryptoniano, os mesmos poderes e até o mesmo “S” no peito. Ainda assim, “Supergirl” e “Superman” são filmes fundamentalmente diferentes. E não é por acaso. Em coletiva de imprensa realizada no Rio de Janeiro, o co-CEO da DC Studios e produtor dos longas, Peter Safran, revelou que cada produção nasceu de uma pergunta distinta sobre a experiência humana.
A pergunta que move cada filme
Safran foi direto ao explicar o que separa os dois projetos. Para ele, a diferença começa no “porquê” de cada história existir.
O motivo básico para fazer Superman era: ‘é possível existir no mundo de hoje enxergando apenas o lado bom das pessoas?’ E isso é muito o que o Superman é. Mas para a Kara, e para a história dela em ‘Mulher do Amanhã’, era mais sobre: ‘que fardo você está disposto a carregar por alguém que ama, para que essa pessoa não precise carregá-lo?’
Essa distinção é poderosa. Enquanto “Superman” (2025) investigava a bondade como escolha ativa num mundo cínico, “Supergirl” parte de um lugar mais íntimo e doloroso. A pergunta de Kara não é sobre ver o melhor nos outros. É sobre sacrifício pessoal e até onde alguém vai para proteger quem ama.
Safran deixou claro que achou essa mensagem especialmente tocante. Segundo o produtor, a ideia já estava presente na HQ original e foi aprofundada no roteiro do filme.
Eu achei que essa era uma mensagem tão bonita para explorar. E ela é lindamente explorada na graphic novel, no próprio quadrinho. Mas acho que levamos isso ainda mais longe com o roteiro.
Processos criativos distintos

Além da diferença temática, Safran também destacou que os dois filmes seguiram processos de desenvolvimento separados. A razão é simples: partiram de bases criativas completamente diferentes.
“Supergirl” tem como ponto de partida a aclamada HQ “Supergirl: Mulher do Amanhã” (Supergirl: Woman of Tomorrow), escrita por Tom King e ilustrada pela brasileira Bilquis Evely. A roteirista Ana Nogueira adaptou a obra para o cinema, fazendo escolhas sobre o que manter e o que deixar de fora. Já “Superman” foi uma história completamente original, criada por James Gunn sem uma HQ específica como referência.
Nós tínhamos o ótimo quadrinho como ponto de partida para ‘Mulher do Amanhã’, para Supergirl. Já para James, ao criar Superman, aquela era uma história completamente original em si. Então foi um processo um pouco diferente.
Na prática, isso significa que cada filme encontrou seu caminho de forma independente. Não houve uma tentativa de replicar a fórmula que funcionou em “Superman”. Pelo contrário. Safran sempre tratou “Supergirl” como uma peça única dentro do DCU, com voz e propósito próprios.
Dois comentários sobre a condição humana
Um detalhe que chama atenção na fala de Safran é a forma como ele enquadra os dois filmes. Para ele, ambos são comentários sobre a condição humana, apesar de tratarem de seres com poderes sobre-humanos.
Essa abordagem reflete uma filosofia que James Gunn e Safran vêm construindo desde o início do novo DCU. Os personagens não existem apenas para entregar ação e efeitos visuais. Eles carregam perguntas universais. Superman pergunta se a bondade ainda tem lugar. Supergirl pergunta até onde vai o amor.
Essa diferença de tom já era visível nos trailers. Enquanto “Superman” apostava em luminosidade e esperança, os materiais de “Supergirl” trazem uma protagonista mais dura, marcada por traumas e com uma visão de mundo distinta da do primo. Como a própria Kara diz no primeiro trailer: ele vê o lado bom de todos, mas ela vê a verdade.
A receita certa para um universo que funciona
A declaração de Safran traz uma lição importante para o futuro do DCU. Personagens que compartilham a mesma origem não precisam contar a mesma história. Aliás, não devem.
O risco de colocar Superman e Supergirl no mesmo universo sempre foi a repetição. Dois kryptonianos, dois conjuntos de poderes praticamente idênticos, dois filmes que poderiam facilmente se parecer demais. Ao ancorar cada produção em uma pergunta filosófica diferente, a DC Studios evita essa armadilha e cria espaço para que cada personagem respire.
Para os fãs, essa abordagem significa que o DCU não será uma linha de montagem de filmes de super-herói com a mesma fórmula repetida. Se “Superman” era sobre bondade, e “Supergirl” é sobre sacrifício, a expectativa é que cada novo filme do universo traga sua própria reflexão. Milly Alcock como uma Kara punk rock e Jason Momoa como Lobo são apenas o começo de um universo que se propõe a ser diverso de verdade.
“Supergirl” estreia nos cinemas brasileiros em 25 de junho de 2026.




Seja o primeiro a comentar