Zack Snyder e James Gunn colocaram a Supergirl em suas respectivas versões do universo da DC, mas o resultado não poderia ser mais distinto. Enquanto o DCU de Gunn apresentou oficialmente sua Kara Zor-El neste ano, no filme Supergirl, o DCEU de Snyder chegou a semear a personagem de um jeito bem mais sombrio.
Comparar as duas abordagens ajuda a entender a virada de tom que a DC vive no cinema.
A Supergirl esperançosa de James Gunn
A versão do DCU, vivida por Milly Alcock, se aproxima bastante da personagem dos quadrinhos. Baseada na HQ Supergirl: A Mulher do Amanhã, Kara começa como uma solitária com problemas com a bebida, que rejeita o primo, o Superman, e a responsabilidade de ser heroína na Terra. Ao longo da trama, porém, ela decide construir uma nova vida e se tornar uma figura mais esperançosa.
Apesar de o filme ter registrado uma bilheteria decepcionante, Gunn confirmou que Alcock seguirá como Kara e terá papel importante em futuros projetos do DCU, incluindo o embate contra Brainiac ao lado do Superman em Homem do Amanhã. Não à toa, a atriz já vinha sendo tratada como peça-chave desde os primeiros planos de Gunn para o novo DCU.

A Supergirl sombria escondida em O Homem de Aço
Do outro lado, a versão de Snyder foi apresentada de forma discreta em O Homem de Aço, de 2013. No início do filme, Clark encontra uma nave kryptoniana com casulos criogênicos, um deles vazio. Um quadrinho prequela confirmou depois que Kara Zor-El havia escapado justamente daquele casulo, tendo chegado à Terra milhares de anos antes de Kal-El.
Os detalhes são escassos, já que os planos para a personagem nunca se concretizaram. Ainda assim, há indícios de que ela poderia ter integrado a Sociedade da Justiça. Fosse qual fosse o rumo, tudo indica que seria uma Supergirl bem mais séria, brutal e indiferente à humanidade do que a de Gunn.
A Supergirl de Sasha Calle em The Flash
O DCEU ainda estrearia outra Supergirl, vivida por Sasha Calle em The Flash, de 2023. Essa Kara, porém, não era a do casulo de O Homem de Aço: ela vinha da linha temporal de Flashpoint, encontrada por Barry Allen em suas viagens no tempo. Marcada por experiências cruéis nas mãos de soviéticos, era uma personagem mais focada e menos festeira, como já se via desde o primeiro grande trailer do longa.
A atriz deveria ter um papel maior na franquia, mas The Flash chegou a ter três finais diferentes durante sua conturbada produção. No desfecho escolhido, Barry reinicia a linha temporal e a heroína volta ao seu universo de origem. Com o fim do DCEU logo depois, Calle nunca mais pôde viver a personagem.

Duas eras, duas visões
A comparação resume bem a mudança de identidade da DC no cinema. A fase de Snyder apostava em heróis mais soturnos e atormentados, enquanto Gunn tenta reposicionar o DCU com um tom mais luminoso e otimista, mesmo em meio a resultados de bilheteria abaixo do esperado.
Provavelmente nunca saberemos o que Snyder planejava para sua Kara Zor-El, nem se a Supergirl de Sasha Calle teria alguma semelhança com a de Milly Alcock. O que fica é o retrato de uma franquia em reconstrução, disposta a apagar o passado para apostar em uma heroína que, desta vez, quer inspirar em vez de assustar. Resta saber se o público vai abraçar essa nova direção.






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