O dia em que The Flash acabou matando todo o Arrowverso

Andre Luiz

Há cerca de dez anos, The Flash se firmava como uma das séries mais queridas do Arrowverso, o universo compartilhado da DC na TV. No entanto, foi justamente a terceira temporada que expôs as limitações da franquia.

Ao adaptar Flashpoint (Ponto de Ignição), um dos arcos mais importantes dos quadrinhos, a produção deixou claro que nunca alcançaria as expectativas dos fãs.

A promessa de uma história revolucionária

Iniciado com Arrow em 2012, o Arrowverso ganhou força quando The Flash estreou em 2014. De repente, um universo da DC prosperava na telinha, alimentando o sonho de ver grandes eventos das HQs adaptados. Entre eles, poucos são tão significativos quanto Ponto de Ignição, história que reformula todo o cânone da editora.

A empolgação era enorme quando o final da segunda temporada mostrou Barry Allen voltando no tempo para salvar sua mãe. Os leitores reconheceram na hora a preparação para Flashpoint. Nos quadrinhos, as ações de Barry alteram permanentemente a realidade, resultando em um reset completo do universo e no início da era conhecida como Novos 52.

Uma adaptação sem consequências duradouras

Na versão da CW, porém, o impacto foi muito menor. Em vez de se tornar um arco que durasse a temporada inteira, Flashpoint foi resolvido quase imediatamente no episódio de estreia da terceira temporada. Barry logo percebeu que a nova linha do tempo era instável, restaurou a original e seguiu em frente.

O encontro entre os Flashes do DCEU e Arrowverso – Reprodução/The CW

Houve, sim, algumas consequências, mas foram pequenos ajustes específicos de personagens, sem transformar o universo de fato. Limitações de orçamento certamente influenciaram, mas o problema ia além da escala visual. Assim, uma história que prometia mudar tudo virou um episódio quase isolado.

Olhando em retrospecto, Ponto de Ignição estabeleceu um padrão pouco animador. Sempre que o Arrowverso se aproximava de uma das maiores histórias da DC, a série costumava introduzir ideias grandiosas para, em seguida, recuar rapidamente à fórmula segura que sustentava seu formato semanal de episódios mais contidos.

A chance perdida em Crise nas Infinitas Terras

Ainda assim, a decepção com Flashpoint chegou cedo na cronologia. Nos anos seguintes, novas séries expandiram o universo, abrindo portas para outros crossovers, como aconteceu quando o Arrowverso anunciou Crise nas Infinitas Terras como grande evento. Essa seria a oportunidade definitiva de entregar a ambição sonhada.

No entanto, o resultado em 2019 foi familiar demais. Apesar de celebrar o legado da DC no live-action, o crossover pareceu apressado e sem grande impacto duradouro, repercutindo em séries como Arrow, cujo episódio final ainda lidou com heranças de Flashpoint.

Os dois eventos revelam a mesma limitação: o Arrowverso brilhava como um conjunto de séries interligadas, mas tropeçava ao adaptar as grandes epopeias da DC.

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