O presidente norte americano Donald Trump continuou no centro de uma grande polêmica internacional. Dessa vez não é envolvendo alguma polêmica ou notícia de guerra, mas sim… animes? Trump usou ‘Naruto’ para se promover em vídeos gerados por inteligência artificial.
No vídeo ele aparece caracterizado como o protagonista de ‘Naruto’, reproduzindo até mesmo uma das poses clássicas da série. O problema é que nenhuma autorização dos detentores dos direitos foi anunciada. A repercussão no Japão foi imediata!
A situação ficou ainda mais delicada porque esse não foi um caso isolado, já que ‘Dragon Ball’, ‘Yu-Gi-Oh!’ e ‘Pokémon’ também apareceram em campanhas de órgãos ligados ao governo norte americano. Muitas vezes em contextos políticos e militares. Para uma indústria que trata seus personagens como patrimônio cultural do país, a utilização dessas imagens sem consentimento despertou uma onda de críticas entre fãs, artistas e autoridades japonesas.
Governo japonês entra na discussão e reforça a defesa da propriedade intelectual
As autoridades japonesas decidiram não ignorar o episódio. Integrantes do governo ressaltaram que esse tipo de prática pode prejudicar tanto a imagem das obras quanto os direitos de seus autores.
O posicionamento ganhou ainda mais força porque o Japão considera a indústria dos animes um dos pilares de sua identidade cultural e de sua influência internacional. Ao longo das últimas décadas, produções como ‘Naruto’, ‘One Piece’, ‘Dragon Ball’ e ‘Pokémon’ se transformaram em símbolos reconhecidos mundialmente. Funcionando inclusive como instrumentos de aproximação cultural entre países.
A preocupação de fãs japoneses foi tamanha que Nana Suzuki, de 34 anos organizou uma petição online pedindo uma proteção mais rigorosa contra o uso político dessas obras. A petição já passou de 25 mil assinaturas! Muitos defendem que personagens tão queridos pelo público sejam preservados de disputas ideológicas para evitar danos à imagem construída ao longo de décadas.
Além disso, representantes do governo destacaram que o respeito aos direitos autorais deve valer para qualquer instituição, incluindo órgãos públicos estrangeiros. O episódio reforçou o debate sobre como conteúdos produzidos por inteligência artificial e compartilhados nas redes sociais podem impactar criadores e empresas responsáveis pelas franquias originais.
A Resposta de Ministros Japoneses foi Certeira!
Shige Watanabe, Ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros, disse:
“É inapropriado até mesmo para instituições públicas reproduzir obras protegidas por direitos autorais sem permissão.”
Isso chegou até Kimi Onoda, Ministra de Estado para Segurança Econômica, que complementou:
“Pretendemos continuar a tomar as medidas adequadas, incluindo a comunicação com os Estados Unidos, para garantir que os direitos autorais do nosso país sejam tratados corretamente. […] Espero sinceramente que incidentes semelhantes não se repitam e que esta publicação não seja divulgada novamente.”

Uma Contradição Lógica e um Insulto para ‘Naruto’!
O anime de ‘Naruto’ se foca justamente em ser antiguerra e na resolução de conflitos de maneira pacífica, as vezes arriscando a própria vida por isso. O próprio Naruto até chegou a virar meme pelo “discurso no jutsu” no qual o personagem resolve conflitos pelo diálogo. Entendendo a dor de seus vilões como também vítimas da guerra e do ciclo de ódio, Naruto estende sua empatia para quebrar a lógica que permite a guerra. Contrariando muitos heróis, inclusive dos animes, que vencem vilões que personificam todo o mal.
Isso tudo sendo muito bem representado no discurso do personagem Gaara, um dos vilões salvos pela empatia do protagonista:
Em nome do ganho e do lucro para a nação e a vila, os shinobi se odiaram e se feriram por muitos anos, da Primeira à Terceira Grande Guerra Ninja e nos conflitos entre elas.
Todo esse ódio clamava por poder… Assim eu nasci. No passado, eu era ódio e poder… e um Jinchuuriki!
Eu odiava este mundo e todos os seus habitantes e pensei em destruir ambos. É exatamente isso que a Akatsuki está tentando fazer agora…
Mas então, um único shinobi da Vila Oculta da Folha me impediu!
Ele chorou por mim, eu era seu inimigo, mas mesmo assim ele chorou por mim, e me chamou de amigo, mesmo tendo lutado conosco. Ele me salvou. Estávamos em lados opostos, mas ambos éramos Jinchuuriki.
Entre aqueles que experimentaram a mesma dor, não pode haver ódio! [..]

A última guerra em ‘Naruto’ foi justamente a guerra de todas as guerras, onde o vilão acabaria com esse ciclo nem que fosse acabando com o mundo junto. O que contraria absolutamente em tudo a atuação do Governo Norte Americano em ser uma verdadeira máquina de guerra há mais de um século.
Ao ponto em que imagens de anime foram usadas em vídeo postados pela própria Casa Branca celebrando ataques aéreos ao Irã. Um total descaso com a ética, inclusive, do anime como patrimônio cultural japonês. Sem falar no povo iraniano que poderia ter sido destruído se os Estados Unidos não fossem derrotados na guerra.




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