X-Men: seria o Apocalipse o melhor vilão da Marvel?

Andre Luiz

A Marvel Comics abriga muitos vilões incríveis, mas poucos têm a história ou o poder de Apocalipse. Os X-Men enfrentam En Sabah Nur desde X-Factor (Vol. 1) #5. Ele assumiu um papel de destaque na galeria de vilões da equipe quase que instantaneamente.

O vilão costuma aparecer ao lado de nomes como Magneto, Senhor Sinistro, Cassandra Nova e o Clube do Inferno. É tão conhecido por fãs casuais quanto pelos mais fervorosos. Apocalipse esteve envolvido em algumas das histórias mais amadas de toda a mitologia mutante, incluindo o clássico absoluto Era do Apocalipse. Ele é, sem dúvida, um dos grandes e teve seu auge em 1991.

Essa última frase provavelmente faz todo mundo parar e questionar o que está acontecendo. 1991 foi o ano do maior reboot já feito nos X-Men, evento do qual Apocalipse sequer participou. Antes desse reboot, porém, as revistas X-Factor, Os Novos Mutantes e Fabulosos X-Men encerravam suas tramas, abrindo espaço para X-Men (Vol. 2) #1, Fabulosos X-Men (Vol. 1) #281, X-Factor (Vol. 1) #71 e X-Force (Vol. 1) #1.

Apocalipse havia sido o principal vilão de X-Factor durante toda sua execução, e a história do personagem, pelo menos até aquele ponto, estava prestes a chegar ao fim. Olhar para os anos que o Apocalipse passou em destaque em X-Factor mostra o quão grande o vilão realmente era. Isso o sustentou por décadas de narrativas apenas medianas.

O vilão perfeito que acabou perdendo o rumo

Muitos leitores modernos provavelmente não sabem, mas X-Factor (Vol. 1) foi excelente durante praticamente toda sua publicação. A primeira fase do grupo, estrelada pelos cinco X-Men originais, entregou algumas das melhores histórias mutantes já feitas.

Apocalipse foi imediatamente posicionado como o principal vilão da revista. Seus subordinados atacavam o grupo com frequência. O roteirista Bob Layton, e depois Louise Simonson, transformaram o personagem em algo único entre os grandes vilões dos X-Men. A introdução do conceito dos Cavaleiros foi essencial para seu desenvolvimento. Ele era um tipo de vilão bastante estereotipado, o clássico “senhor das trevas”, mas mesmo assim a fórmula funcionava perfeitamente.

Todo o caso dos Cavaleiros envolvendo Arcanjo mostrou o quão sedutor o poder do Apocalipse podia ser, adicionando uma nova camada ao vilão. Sua tecnologia Celestial o tornou uma ameaça ainda mais poderosa.

O desenvolvimento de sua doutrina de sobrevivência do mais apto, ao longo da série, deu mais profundidade ao personagem. Nathan Summers entrou no meio de tudo isso. O Apocalipse se tornou obcecado em colocar as mãos no garoto, querendo tomar seu corpo e usar seus poderes para se tornar um verdadeiro deus.

Isso adicionou uma dimensão pessoal à rivalidade dele com a equipe. Endgame, arco publicado em X-Factor (Vol. 1) #65-68, encerrou toda essa história, escrita por Chris Claremont, Jim Lee e Whilce Portacio. Ciclope alcançou um novo nível de poder e aparentemente matou o vilão, pondo fim à ameaça.

Apocalipse em X-Men ’97 – Reprodução/Marvel Studios

Por que nada depois chegou perto

O vilão só permaneceria morto até X-Cutioner’s Song, de 1992, só voltando a ser realmente importante no universo principal perto do fim daquela década. Foi revelado que ele governava o futuro para onde Nathan havia sido enviado no fim de Endgame, por conta dos eventos de Os Doze, a última grande história mutante do milênio antigo. No fundo, porém, era basicamente o mesmo enredo: En Sabah Nur tentando manipular eventos para conseguir poder absoluto.

Já se passaram 35 anos, e temos distância e perspectiva sobre a história dos X-Men. É possível afirmar com segurança que depois de X-Factor, o Apocalipse não fez nada para manter seu posto no topo da pirâmide dos vilões.

A maioria de suas aparições entre 1991 e 1997 envolveu histórias bem pouco relevantes. Quase sempre lidavam com sua ressurreição. Era do Apocalipse, um universo alternativo, foi a única história realmente importante do período. Depois do ano 2000, também fica difícil encontrar uma boa história do vilão. É sempre a mesma coisa: Cavaleiros, Celestiais, sobrevivência do mais apto.

A era Krakoa trouxe mudanças enormes para os X-Men, e Apocalipse não ficou de fora. Ele foi um dos personagens centrais da fase Dawn of X, quando os leitores descobriram que ele já havia liderado Okkara, o supercontinente mutante destruído numa invasão demoníaca vinda de Amenth.

Essa mudança de status quo foi enorme, mas não funcionou muito bem. É um daqueles retcons que fazem pouco sentido quando somados ao restante do cânone: Apocalipse, o vilão mais temido de toda a mitologia mutante, tinha, na verdade, sido bastante altruísta ao longo dos anos. Essa mudança serviu basicamente para fazer X of Swords e Excalibur funcionarem, transformando o antigo vilão numa espécie de xamã mutante, mas acabou prejudicando bastante quem ele era como personagem.

Ainda há esperança para o personagem

Ao longo dos anos, tivemos boas histórias com o personagem. Ascensão de Apocalipse, parcialmente adaptada em X-Men ’97, é um bom exemplo. Uncanny X-Force também desenvolveu bastante sua mitologia.

Ainda assim, na maior parte do tempo, recebemos basicamente a mesma coisa repetidas vezes. A franquia vivia das glórias do passado. Já vimos algo parecido ao relembrar o anúncio do cancelamento e relançamento de todas as HQs de X-Men que originou a era Krakoa.

A editora claramente não tem medo de reformular completamente os mutantes quando julga necessário. Apocalipse é um ótimo vilão e sempre será. Seu maior problema, porém, é um dos maiores problemas dos super-heróis em geral: a estagnação, problema presente também início da nova era dos X-Men após o fim de Krakoa.

Talvez seja hora de a Marvel repetir a fórmula que funcionou em X-Factor. Bastaria entrelaçar Apocalipse na narrativa por anos, deixando-o crescer junto de seus inimigos, e finalmente levá-lo ao nível que ele sempre mereceu alcançar.

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