Enquanto conduz o maior corte de pessoal de sua história, a Xbox também está redesenhando para onde vai o dinheiro que sobra. Um novo memorando da CEO Asha Sharma, divulgado junto ao anúncio da reestruturação, revela que a companhia pretende concentrar recursos em um grupo específico de estúdios — justamente enquanto elimina 15% do quadro de funcionários nos próximos meses, com 1.600 desligamentos já em andamento.
Para onde vai o dinheiro
No texto enviado aos funcionários, Sharma foi direta ao tratar do tema. Segundo ela, a empresa está fazendo reduções em outras unidades e, em alguns casos, redirecionando investimento para focar em projetos de maior prioridade, com mudanças que variam de tamanho entre Activision, Bethesda/ZeniMax, Blizzard, King, Mojang e os XBOX Game Studios. A executiva reforçou ainda que nenhum jogo ou projeto first-party já anunciado publicamente será cancelado por causa dos cortes.
A confirmação vai ao encontro de rumores que já circulavam desde junho, quando surgiram indícios de que a Xbox planejava aumentar os investimentos nos maiores estúdios do grupo para acelerar o desenvolvimento de títulos de orçamento elevado — uma mudança especialmente relevante para a Bethesda, historicamente conhecida pelos longos ciclos de produção de franquias como The Elder Scrolls e Fallout.
Minecraft como “fonte de financiamento”
Um detalhe chama atenção nesse novo arranjo: segundo apurou a Variety junto a uma fonte da indústria, a Mojang — estúdio por trás de Minecraft — vinha sendo usada como uma espécie de fonte de caixa para bancar outras áreas da Xbox, sem receber o investimento necessário para crescer. Agora, tanto Mojang quanto King (dona de Candy Crush) passam a se reportar diretamente a Sharma, reconhecidas por ela como as maiores plataformas da Xbox em número de jogadores ativos mensais — e, por isso, peças estratégicas na nova fase da divisão.
A inclusão de Blizzard e King na lista de prioridades também sinaliza algo além dos grandes lançamentos de console: a intenção de sustentar produtos já consolidados, como World of Warcraft, e reforçar a presença da Xbox no mercado mobile, um segmento que domina a indústria em receita e volume de jogadores.
Uma reestruturação motivada por números

Por trás da redistribuição de verbas está um diagnóstico financeiro duro. De acordo com a própria Sharma, a Xbox opera atualmente com margens de três a dez vezes menores do que negócios comparáveis de plataforma e publicação. Fontes ouvidas pela imprensa especializada também citam que, para cada dólar investido em estúdios de jogos nos últimos anos, a companhia teria perdido a maior parte do valor aplicado — um retorno considerado insustentável diante do tamanho da operação.
Para reverter esse quadro, a Xbox promete ir além da redistribuição de investimentos. A companhia afirma que vai reduzir o número de camadas de gestão — hoje chegando a 14 em algumas áreas —, cortar pela metade os gastos com fornecedores e simplificar ferramentas internas usadas pelas equipes, tudo em paralelo aos milhares de cortes de vagas já anunciados.
O que fica de fora
Ainda que o memorando garanta a continuidade dos projetos já revelados publicamente, ele deixa claro que nem todas as áreas da Xbox recebem o mesmo nível de atenção daqui para frente. Estúdios e frentes de trabalho fora da lista prioritária — que reúne Activision, Bethesda/ZeniMax, Blizzard, King, Mojang e os demais XBOX Game Studios — tendem a sentir o impacto mais direto tanto dos cortes de pessoal quanto da redução geral de investimento, em uma reestruturação que a própria Sharma classifica como a mais significativa da história da divisão.




Seja o primeiro a comentar