A morte de John Dutton dominou as manchetes da temporada final do faroeste. Mas as rachaduras na série já apareciam muito antes de Kevin Costner deixar o rancho.
A série de faroeste moderno “Yellowstone”, criada por Taylor Sheridan, marcou época ao longo de cinco temporadas com seu drama de alta tensão, visuais impressionantes e atuações marcantes. O elenco brilhou, com destaque para Kelly Reilly como a feroz Beth Dutton, além de Cole Hauser (Rip Wheeler), Wes Bentley (Jamie Dutton) e Gil Birmingham (Thomas Rainwater). No centro de tudo, porém, estava Kevin Costner, que elevava a produção com sua versão estoica e firme de John Dutton. Mesmo assim, a verdade incômoda é que a série já dava sinais de desgaste antes de sua saída.
A despedida polêmica de John Dutton

A saída de Costner dominou as notícias durante toda a temporada final, e não foi por acaso. Após meses de relatos sobre conflitos de agenda, atrasos de produção e negociações contratuais, o ator confirmou que não voltaria para concluir a quinta temporada. Sua última aparição aconteceu no episódio 8, “A Knife and No Coin”.
O personagem foi então retirado da segunda parte da temporada com uma aparente morte por suicídio, decisão que chocou o público e virou um dos momentos mais controversos da série. Posteriormente, a trama revelou que tudo havia sido orquestrado pela vilã Sarah Atwood, que contratou assassinos para matar John e forjar a cena do crime.
Para muitos fãs, a série perdeu seu núcleo emocional naquele instante. Outros criticaram a forma abrupta como a história do patriarca terminou. Até quem gostou da temporada final apontou a ausência de Costner como o motivo de a quinta temporada parecer menos grandiosa que as anteriores.
Os sinais de desgaste vieram bem antes
Apesar do baque, a virada criativa de “Yellowstone” começou muito antes da partida do ator. Durante as três primeiras temporadas, praticamente toda a trama girava em torno de um único conflito: proteger o rancho Yellowstone. Fosse Beth enfrentando incorporadoras, Kayce equilibrando família e lealdade, ou Rip cumprindo as ordens mais duras de John, cada subtrama servia a esse mesmo propósito narrativo.
A partir da quarta e da quinta temporadas, no entanto, esse foco começou a se fragmentar. John virou governador de Montana, a rivalidade cada vez mais violenta entre Beth e Jamie ofuscava outras histórias, e a Market Equities trouxe longas manobras corporativas e políticas. Com frequência, a série pausava seu conflito central para se dedicar a tramas completamente separadas. Trocar as paisagens deslumbrantes de Montana por escritórios e ternos corporativos, aliás, decepcionou boa parte do público.
Quando a expansão atrapalhou a história

A longa jornada de Jimmy até o rancho Four Sixes é outro bom exemplo dessa mudança. O amadurecimento do personagem é uma das maiores vitórias da série, transformando um peão atrapalhado em um cowboy experiente. Contudo, grande parte de seu arco no Texas se desenrola longe dos conflitos da família Dutton, ao mesmo tempo em que apresenta ao público outro canto do universo de Sheridan.
Da mesma forma, longas sequências envolvendo competições equestres se tornaram cada vez mais comuns nas temporadas finais. Por mais bem filmados que fossem, esses momentos muitas vezes freavam o ritmo da trama principal, em vez de impulsioná-la. Não eram cenas ruins, mas claramente não eram o que tornava “Yellowstone” tão especial.
Culpar só a morte de Dutton simplifica demais
É inegável que perder o John Dutton de Costner foi um golpe duro, forçando os roteiristas a finalizar a série em circunstâncias difíceis. O personagem era o líder estratégico e a âncora emocional da família. Ainda assim, é igualmente justo reconhecer que, na reta final, a produção já havia se afastado da narrativa enxuta e focada que tornou as primeiras temporadas tão envolventes.
Em vez de contar uma única história sobre uma família protegendo sua terra, com todas as complexidades morais envolvidas, “Yellowstone” passou a priorizar a franquia como um todo. Hoje, esse universo já conta com derivados de sucesso como “1923”, “1883”, “Marshals” e “Dutton Ranch”, enquanto “6666” e “1944” seguem em desenvolvimento. Para muitos espectadores, foi justamente essa pulverização de atenção, e não apenas a morte de John Dutton, que deixou a quinta temporada com aquela sensação de desequilíbrio.
No fim das contas, “Yellowstone” permaneceu envolvente até o último episódio. A questão é que culpar somente a saída de Costner é uma leitura simplista de um problema que já vinha se formando aos poucos. Quem quiser relembrar pode conferir nossa matéria sobre tudo o que rolou no final da série, entender os motivos por trás da saída de Kevin Costner e ver como o ator reagiu ao destino de John Dutton.
E você, acha que “Yellowstone” perdeu o rumo antes ou depois da saída de Costner? Conte nos comentários.






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