Entre os muitos nomes reunidos por Christopher Nolan em A Odisseia, um deles vive um personagem curioso: Elliot Page interpreta Sínon, figura que não integra o poema original. O ator falou publicamente sobre a experiência pela primeira vez, escolhendo concentrar a conversa no trabalho, após ter sido alvo de ataques nas redes sociais desde o anúncio de sua escalação.
Um personagem emprestado de outra obra
A observação do intérprete tem fundamento literário. Sínon não aparece na obra atribuída a Homero, mas sim na Eneida, poema épico escrito por Virgílio séculos depois, no qual o grego engana os troianos para que aceitem o famoso cavalo de madeira.
Durante participação no programa de TV The Daily Show, o ator explicou como encarou a responsabilidade.
O personagem que eu interpreto não está originalmente em A Odisseia. Para mim, o foco era realmente conseguir capturá-lo nessas poucas cenas e, com sorte, deixar o Chris satisfeito.
Segundo ele, as conversas iniciais com o diretor giraram em torno de uma ideia específica: a de que a figura funcionaria como uma espécie de consciência diante de Odisseu, encarnando os impactos e a brutalidade da guerra.
Um reencontro depois de quinze anos
A parceria não é inédita. Os dois haviam trabalhado juntos em A Origem, em 2010, e voltaram a se falar durante a pré-produção deste projeto. O ator descreveu ter ficado aterrorizado com a responsabilidade, mas classificou o nervosismo como do tipo positivo, já que o personagem, apesar de breve, deixa impacto considerável.

Não é a primeira vez que o cineasta elogia publicamente integrantes deste elenco. Anos atrás, ele já havia demonstrado admiração por outro nome do time, quando comentou o trabalho de Robert Pattinson em outra franquia, muito antes de reuni-lo nesta produção.
Frio, chuva e infância no Canadá
Sobre as filmagens, o relato foge do glamour. Page gravou no começo do cronograma e retornou na fase final, o que, segundo ele, tornou sua rotina bem mais leve do que a dos colegas. Ao ver o que os demais enfrentaram, admitiu não entender como todos continuavam de pé.
O maior obstáculo, no caso dele, foi o clima. A vantagem, brincou, veio da infância trabalhando no Canadá, o que o acostumou a temperaturas bastante severas.
Um sucesso comercial expressivo
A Odisseia confirmou as expectativas nas bilheterias. Já ultrapassou os 300 milhões de dólares em arrecadação global, com projeções de forte desempenho também no segundo fim de semana. Os valores se referem ao mercado internacional e podem variar conforme a cotação da moeda.
Parte da atração está no formato. Nolan filmou integralmente com câmeras IMAX 70mm, e as sessões nesse padrão vêm esgotando em grandes cidades. É mais um capítulo da defesa que o diretor faz da experiência em sala escura, postura que já o colocou em rota de colisão com estúdios, como quando sua influência sobre decisões criativas ainda repercutia após a saída da antiga casa.




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