As vendas de “Death Stranding 2: On the Beach” podem ajudar a explicar por que a Sony decidiu abandonar a publicação de “Physint“, próximo projeto de espionagem de Hideo Kojima. Uma análise da Alinea Analytics estima que a sequência vendeu 2,5 milhões de cópias no PlayStation 5 e PC, número que pode ter ficado abaixo das expectativas para uma produção desse porte.
Os dados não confirmam que o desempenho comercial de “Death Stranding 2” tenha sido o motivo para a mudança envolvendo “Physint”. Entretanto, o levantamento oferece um possível contexto financeiro para uma decisão que surpreendeu o mercado e abriu espaço para uma nova parceria entre Kojima e o Xbox.
“Death Stranding 2” alcança 2,5 milhões de cópias

Segundo as estimativas da Alinea Analytics, “Death Stranding 2” chegou a aproximadamente 2,5 milhões de unidades vendidas entre suas duas plataformas. Desse total, cerca de 1,8 milhão de cópias seriam do PlayStation 5, enquanto o PC teria respondido pelas outras 700 mil.
O estudo calcula ainda uma receita bruta de aproximadamente US$ 170 milhões para o jogo. Apesar do valor expressivo, o ritmo de vendas teria perdido força depois dos primeiros meses de lançamento.
No PlayStation 5, aproximadamente 1 milhão de unidades teriam sido comercializadas nos dois primeiros meses. Depois disso, a sequência teria encontrado dificuldades para manter o mesmo ritmo, mesmo com reduções de preço.
A situação teria sido semelhante no PC. Cerca de 550 mil cópias foram estimadas no Steam durante os dois primeiros meses, representando aproximadamente 80% das vendas totais da plataforma apontadas pelo levantamento.
Primeiro “Death Stranding” teve desempenho maior
A comparação com o jogo original ajuda a dimensionar os números. A Alinea estima que “Death Stranding” tenha alcançado cerca de 5 milhões de cópias vendidas ao longo de seu ciclo comercial.
O primeiro título também teve uma vantagem importante: permaneceu disponível por muito mais tempo e recebeu descontos significativos, incluindo reduções que levaram seu preço para aproximadamente US$ 20 em determinados períodos.
Mesmo assim, a diferença entre os desempenhos chama atenção. De acordo com a análise, “Death Stranding” teria gerado cerca de US$ 243 milhões em receita, contra aproximadamente US$ 170 milhões atribuídos à sequência até o momento.
Somando os dois jogos, a estimativa coloca a receita da franquia em aproximadamente US$ 413 milhões desde sua apresentação original em 2016.
Custos maiores podem mudar a conta
O principal ponto levantado pela análise está na relação entre receita e custo de produção. Estimativas de mercado colocam o orçamento do primeiro “Death Stranding” na faixa de US$ 100 milhões, enquanto a sequência teria custado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.
Esses valores não foram apresentados como números oficiais pela Sony ou pela Kojima Productions. Ainda assim, servem para ilustrar por que uma produção de grande orçamento pode precisar de vendas muito superiores para alcançar uma margem considerada satisfatória.
A análise da Alinea sugere que a franquia provavelmente conseguiu atingir o equilíbrio financeiro considerando suas diferentes receitas. Entretanto, o retorno estimado não seria necessariamente suficiente para justificar novos investimentos de grande escala no mesmo nível.
O desempenho no PC também revela um detalhe importante
O lançamento para PC teve participação relevante nos resultados de “Death Stranding 2”. A versão foi produzida pela Nixxes e acrescentou uma nova fonte de receita para o projeto.
O levantamento também destaca a presença significativa da franquia no mercado chinês através do Steam. A estimativa aponta que 44% da base de jogadores de “Death Stranding 2” na plataforma está na China, enquanto o primeiro jogo teria cerca de 27% de sua audiência do Steam no país.
Esse cenário mostra como o PC pode ampliar o alcance de determinadas produções da PlayStation. Ao mesmo tempo, a estratégia cria uma relação diferente com mercados onde a presença oficial do console da Sony é mais limitada.
Por que “Physint” foi parar nas mãos do Xbox?

A mudança envolvendo “Physint” aconteceu em um momento particularmente importante para a relação entre Sony e Hideo Kojima. Segundo o material analisado, a PlayStation teria encerrado sua parceria de publicação do projeto, levando a Kojima Productions a procurar um novo parceiro.
O próprio Kojima afirmou que sua equipe passou cerca de três meses procurando uma nova empresa para trabalhar no jogo antes de chegar a um acordo com o Xbox.
O projeto é descrito como um título de ação e espionagem que pretende explorar uma proposta de gênero semelhante àquela que tornou Kojima conhecido na indústria. A mudança coloca o Xbox em uma posição estratégica, já que a empresa também trabalha com Kojima em outros projetos.
É importante destacar, porém, que não há confirmação de que “Death Stranding 2” provocou diretamente o cancelamento da parceria em “Physint”. A decisão pode ter envolvido diversos fatores comerciais, criativos ou relacionados ao desenvolvimento, que não foram divulgados publicamente.
PlayStation parece mais cautelosa com grandes projetos
A discussão acontece em meio a uma mudança mais ampla na estratégia da PlayStation. Grandes produções exigem investimentos cada vez maiores, enquanto o mercado se tornou mais competitivo e os resultados comerciais podem variar bastante de um projeto para outro.
O caso de “Death Stranding 2” é particularmente interessante porque o jogo não representa necessariamente um fracasso comercial. A marca de 2,5 milhões de cópias ainda demonstra um alcance considerável, mas pode não entregar o mesmo retorno esperado de outras superproduções da plataforma.
Para uma empresa que precisa administrar projetos de alto orçamento, a diferença entre vender milhões de unidades e gerar uma margem considerada suficientemente alta pode ser decisiva. Por isso, números como os apresentados pela Alinea ajudam a compreender o cenário, mesmo sem revelar as decisões internas da Sony.
O futuro da parceria entre Kojima e PlayStation mudou
A possível mudança em “Physint” representa uma alteração significativa na relação construída entre Hideo Kojima e a PlayStation após a saída do desenvolvedor da Konami.
A Sony teve papel importante no nascimento de “Death Stranding”, enquanto a sequência também foi lançada inicialmente como um título do PlayStation 5. Agora, com “Physint” associado ao Xbox, o próximo capítulo dessa parceria ganhou uma direção completamente diferente.
Por enquanto, o desempenho comercial de “Death Stranding 2” deve ser encarado como apenas uma possível peça desse quebra-cabeça. Sem uma explicação oficial sobre os motivos que levaram a Sony a deixar “Physint”, qualquer ligação direta entre os acontecimentos continua sendo uma hipótese.





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