Richard Harris ficou eternizado como o primeiro Alvo Dumbledore nas telas, em Harry Potter e a Pedra Filosofal. O papel, porém, quase foi parar nas mãos de outros três atores consagrados antes dele. Cada um recusou o convite por motivos bem diferentes. Um deles acabou trocando o cargo de diretor de Hogwarts por outra franquia de fantasia igualmente icônica.
Patrick McGoohan e a saúde debilitada
Patrick McGoohan já era um nome respeitado quando o estúdio o procurou para viver o bruxo. Ele construiu carreira interpretando personagens inteligentes, enigmáticos e frequentemente intimidadores. Ficou mais conhecido por Danger Man e pela cult O Prisioneiro. Sua presença imponente certamente teria dado a Dumbledore um tom mais afiado.
McGoohan recebeu o convite, mas recusou por questões de saúde. Sua ausência é um dos “e se” mais discretos da história de elenco de Harry Potter. Isso acontece em boa parte porque sua carreira estava mais enraizada na televisão. Os blockbusters de cinema só vieram depois em sua trajetória.

Sean Connery e a falta de interesse em fantasia infantil
Sean Connery teria trazido força de estrela instantânea ao papel. Somava-se a isso sua história como o mais famoso espião do MI6 britânico nas telas, James Bond. Na época em que Harry Potter estava sendo escalado, Connery já era há décadas uma das estrelas mais reconhecíveis do mundo.
O ator recebeu a oferta, mas recusou. Segundo relatos, ele não tinha interesse em fantasia infantil. Também tinha pouca familiaridade com bruxos mágicos. Olhando em retrospecto, a ideia dele como Dumbledore soa quase surreal. Sua carreira foi construída em cima de heróis másculos e cavalheiros refinados. Seu filme mais recente à época, Encontrando Forrester, já mostrava um lado mais reflexivo do ator. Talvez a ideia não fosse tão descabida assim.

Christopher Lee e a troca por Saruman
Christopher Lee é o grande vencedor dessa disputa alternativa por Dumbledore. Ele recebeu o convite e recusou. Na sequência, assumiu o papel de Saruman em O Senhor dos Anéis. Quem diria que essa “traição” renderia tanto? Lee era fã de Tolkien a vida inteira. Havia relido os livros anualmente desde os anos 50. Foi também o único membro do elenco a realmente conhecer o autor pessoalmente. O encontro aconteceu de forma casual num pub de Oxford.
Sua presença imponente, voz grave e persona aristocrática o tornavam quase perfeito para a Terra-Média. Ele não teria sido um mau Dumbledore. Talvez, porém, trouxesse dignidade demais ao papel. Como Saruman, tornou-se uma das figuras mais memoráveis de toda a trilogia. Assim, transformou sua quase escalação em Harry Potter numa pequena nota de rodapé na história do cinema de fantasia.

Um final que parece coisa do destino
No fim das contas, Richard Harris ficou com as vestes, e Hogwarts ganhou seu diretor. Christopher Lee, por sua vez, ganhou uma torre na Terra-Média.
Os bastidores de O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim mostram que o legado de Tolkien no cinema segue bem vivo. O mesmo vale para o universo mágico criado por J.K. Rowling. Ele agora ganha nova vida através da série em produção pela HBO. No fim, Lee não recusou um bruxo: escolheu outro para fazer sua própria magia.





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