Todo leitor associa heróis patrióticos a uma editora específica. A concorrente, porém, tem um personagem exatamente nesse molde, criado por uma lenda dos quadrinhos e lançado antes do rival mais famoso. Uma análise publicada pelo site ComicBook resgata o caso.
Quem chegou primeiro
A cronologia surpreende. O personagem conhecido como Tio Sam estreou em 1940, pelas mãos de Will Eisner, um dos nomes mais respeitados da história dos quadrinhos. O Capitão América viria apenas no ano seguinte. Criado por Joe Simon e Jack Kirby, ele apareceu em 1941 pela então Timely Comics, casa que só décadas depois viraria a Marvel que conhecemos.
A diferença está na origem editorial. Tio Sam nasceu na Quality Comics, uma das muitas casas menores daquele período, e só chegou à DC quando o catálogo inteiro foi comprado.
O conceito do personagem
A premissa é bem mais mística do que a do rival. Ele seria o espírito de um soldado morto na guerra de independência, que se manifesta sempre que o país precisa. Os poderes funcionam de forma incomum. A força dele cresce ou diminui conforme a crença das pessoas naquilo que ele representa.
Tio Sam liderava também um grupo próprio. Os Lutadores da Liberdade reuniam personagens como Homem-Bomba (!!!), Boneco e Condor Negro, todos herdados daquela mesma editora extinta.
Por que nunca engrenou
A explicação apontada tem várias camadas. Ele estreou por uma editora pequena e sem alcance, o que limitou a exposição desde o início. Depois veio o esquecimento longo. O personagem só reapareceu nos anos 1970 e foi imediatamente realocado para uma realidade alternativa, longe dos heróis principais.
Existe ainda a questão do conceito. O Capitão América funcionava melhor por ser mais terreno, com a ideia de que qualquer pessoa comum pode se tornar excepcional se receber a chance.

A grande reformulação do universo DC também não ajudou. Quando as realidades paralelas foram unificadas nos anos 1980, o personagem ganhou destaque momentâneo e voltou a ser esquecido logo depois.
As tentativas de resgate
A editora tentou algumas vezes. A mais celebrada foi uma minissérie de 1997, escrita por Steve Darnall e desenhada por Alex Ross, considerada visualmente belíssima. Aquela publicação teve pouca divulgação. Sem reconhecimento de nome, o material passou despercebido pela maior parte dos leitores.
Outras investidas vieram nos anos 2000, também sem sucesso duradouro.
Um paralelo que vale registrar
Personagens patrióticos costumam render histórias complicadas. O próprio Capitão América já abandonou o manto mais de uma vez ao sentir que havia decepcionado o país, arco que rende leitura interessante. A editora rival também explorou esse terreno. Houve inclusive uma polêmica enorme quando a casa reposicionou o herói de forma radical, episódio que gerou reação intensa entre leitores.
Para o leitor brasileiro, aliás, vale um contexto extra. Heróis patrióticos americanos funcionam por lá como símbolo de identidade nacional, algo que não se traduz automaticamente para outros países, o que ajuda a explicar por que personagens desse tipo raramente viram fenômeno global sem uma camada dramática forte por trás.





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