Co-criador de Lanternas explica possível furo de continuidade na série

Vinicius Miranda

Atenção: este texto contém spoilers do episódio de estreia de Lanternas. A estreia de Lanternas deixou até os fãs mais fiéis da DC um tanto confusos. A série estabelece que, em 2016, Hal Jordan treina John Stewart, escolhido pelos Guardiões do Universo para sucedê-lo como Lanterna Verde. O problema é que, quando Hal morre em 2026, seu anel desaparece. Só que em Superman, ambientado em 2025, quem protege a Terra como Lanterna Verde é Guy Gardner. Na prática, isso parece um furo de continuidade e tanto no novo Universo DC.

Como Lanternas se encaixou no plano de James Gunn

Guy Gardner em Superman – Divulgação / DC Studios

Em entrevista ao site Collider, o co-criador da série, Damon Lindelof, comentou o processo de construção desse universo compartilhado. Segundo ele, quando James Gunn e Peter Safran assumiram a DC Studios, reuniram um grupo de roteiristas de confiança. O time incluía nomes de quadrinhos, TV e cinema, reunidos para começar a desenhar a visão do estúdio. Só que isso já estava acontecendo depois de Gunn ter escrito o roteiro de Superman. No filme, Guy Gardner já aparecia como o Lanterna Verde em cena.

Lindelof relembrou o momento em que ouviu a proposta de Tom King. Sua primeira pergunta foi sobre o paradeiro de Hal Jordan, já que Guy era o Lanterna da Terra. Segundo ele, Gunn respondeu que o céu era o limite. A partir daí, o grupo começou a especular: talvez Hal estivesse vivo, mas aposentado, ou talvez nem estivesse mais vivo. Essas conversas foram moldando organicamente a compreensão de como o presente do DCU, que Superman ajuda a apresentar, se encaixaria com a nova série. Segundo Lindelof, a orientação de Gunn era clara: nada de histórias de origem, o universo precisava começar já em movimento.

Os bastidores da decisão de matar Hal Jordan

Hal Jordan em Lanternas – Divulgação / DC Studios

Como já era esperado desde que spoilers do piloto vazaram online, boa parte dos fãs não recebeu bem a morte de Hal logo no primeiro episódio. Ele continuará aparecendo na linha do tempo de 2016. Possivelmente também surgirá como um “Halograma” no presente, mas encerrar sua história dessa forma é visto por muitos como um tropeço criativo.

Lindelof reconheceu que ele e Tom King hesitaram bastante antes de bater o martelo. Segundo ele, os dois se entreolharam ao cogitar a ideia, temendo que ela parecesse apelativa e gerasse rejeição imediata do público. Foi o showrunner Chris Mundy quem os empurrou na direção da decisão final. Lindelof reconheceu abertamente que muitos espectadores ficariam com raiva. Afinal, seria a primeira vez que reencontrariam Hal Jordan em live-action desde o filme de Ryan Reynolds. Cerca de 50 minutos depois de se apaixonarem por Kyle Chandler no papel, veriam o personagem morrer.

Será que é mesmo o fim de Hal Jordan?

Questionado se a morte é definitiva, Lindelof pediu paciência aos fãs. Segundo ele, a opinião sobre a decisão só deveria ser formada depois do episódio final da temporada. Segundo ele, a equipe está disposta a aceitar as vaias do público logo de cara. A condição é ainda ter chance de vencer o jogo lá na frente.

Parte dos fãs já enxerga nessas declarações uma pista de que Hal pode estar vivo. Afinal, o piloto fez questão de estabelecer que existem alienígenas na Terra capazes de se disfarçar como humanos. Ainda assim, depois de uma escolha tão ousada logo no primeiro episódio, trazer Hal de volta poderia soar como uma reviravolta covarde. Isso vale ainda mais com John Stewart já estabelecido como o novo Lanterna da Terra. Uma segunda temporada já está nos planos. É possível que ela gire em torno do mistério do paradeiro de Hal, ou até de sua queda como o vilão Parallax. O tom mais sombrio reservado para outros arcos do DCU já foi discutido nos bastidores do próprio Superman de Gunn.

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