Multiverso da DC: por que não funciona tão bem e como pode melhorar?

Andre Luiz

O Multiverso da DC voltou a ganhar relevância nas histórias recentes da editora, principalmente com o crescimento do Universo Absoluto. A iniciativa criada a partir da nova realidade dominada por Darkseid se tornou um dos principais destaques atuais da publicação, mas também reacendeu uma discussão sobre o potencial ainda pouco aproveitado das Infinitas Terras da DC.

A ideia de realidades paralelas acompanha a editora há décadas e foi responsável por algumas das principais mudanças de sua história. Antes mesmo de Crise nas Infinitas Terras, diferentes versões de personagens apareciam regularmente em títulos como Justice League of America, enquanto Terra-2, Terra-X e outras realidades recebiam suas próprias histórias.

A situação mudou radicalmente com a saga publicada em 1985 e 1986, que reorganizou a continuidade da editora e encerrou o Multiverso original.

O retorno das Terras paralelas não teve o impacto esperado

A DC recuperou oficialmente o conceito durante a década de 2000. 52 apresentou novamente diferentes realidades e preparou terreno para uma nova fase de histórias envolvendo o Multiverso.

O retorno, entretanto, ocorreu de maneira gradual. A Terra-2 apareceu em histórias importantes, enquanto Crise Final explorou conceitos ligados aos Monitores. Em seguida, Grant Morrison desenvolveu The Multiversity, projeto que ampliou consideravelmente a quantidade de mundos existentes.

O problema é que a publicação de Morrison só chegou em 2014, anos depois da reintrodução do Multiverso. Durante esse intervalo, outras fases da DC — como os Novos 52 e o Renascimento — acabaram deixando as realidades paralelas em segundo plano.

Flashpoint também provocou uma nova reorganização da cronologia, enquanto Dark Nights: Metal introduziu o Multiverso Sombrio. Mais tarde, Dark Nights: Death Metal voltou a alterar a estrutura da realidade da DC.

Universo Absoluto recoloca o conceito no centro

Nos últimos anos, o Multiverso voltou a aparecer com mais frequência, principalmente por meio dos títulos Batman Absoluto, Superman Absoluto e Mulher-Maravilha Absoluta.

A iniciativa apresenta versões completamente diferentes dos principais heróis da editora e funciona como uma porta de entrada para novos leitores. Ao mesmo tempo, mantém conexões com a mitologia tradicional da DC.

O sucesso dessas séries também demonstra o potencial comercial de novas interpretações de personagens conhecidos. A própria The Multiversity já havia explorado essa possibilidade ao apresentar mundos com versões radicalmente diferentes dos heróis.

Versões Absolutas de Batman, Mulher-Maravilha e Superman – Reprodução/DC Comics

E as outras Terras da DC?

Apesar do retorno do conceito, diversas possibilidades permanecem pouco exploradas. A Terra-2 clássica, por exemplo, poderia voltar a receber uma publicação regular, assim como versões históricas dos Freedom Fighters ou da Sociedade da Justiça.

A própria estrutura estabelecida por Dark Crisis on Infinite Earths permite novamente a existência de um Multiverso Infinito. Isso abre espaço para histórias ambientadas em diferentes períodos e realidades sem a necessidade de alterar permanentemente a continuidade principal.

Entre os conceitos que podem ser retomados estão All-Star Squadron, Freedom Fighters e Tales from the Dark Multiverse, além de novas versões de equipes e personagens conhecidos.

Multiverso pode funcionar como porta de entrada

A expansão das realidades alternativas também pode ajudar a DC a lidar com uma das dificuldades tradicionais dos quadrinhos: a complexidade de sua continuidade.

As séries Absolutas demonstram como uma nova realidade permite apresentar Batman, Superman e Mulher-Maravilha sem exigir que o leitor conheça décadas de histórias anteriores.

Esse mesmo modelo poderia ser aplicado a outras Terras. Uma nova Terra-2 ou Terra-X, por exemplo, permitiria construir elencos e mitologias próprias sem abandonar completamente os elementos reconhecíveis da DC.

Atualmente, a editora mantém diversas histórias ambientadas fora da continuidade principal, especialmente por meio dos títulos Elseworlds. O potencial, porém, é muito maior do que algumas séries isoladas.

Com o sucesso do Universo Absoluto e a recuperação de conceitos clássicos da editora, o Multiverso da DC volta a se apresentar como uma das ferramentas mais flexíveis disponíveis para novos personagens, equipes e histórias. Resta saber até que ponto a publicação pretende ampliar esse espaço nos próximos anos.

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