As revelações do Arco de Elbaf transformaram a aventura pirata em algo bem mais sombrio. O que parecia um conto de fantasia agora se revela uma história pós-apocalíptica que estava ali o tempo todo.
Atenção, este texto contém grandes spoilers do mangá de One Piece. Com o fim do Arco de Wano, One Piece deu início oficialmente à sua Saga Final, atualmente a todo vapor no Arco de Elbaf. Essa reta final trouxe novos antagonistas, como os Cavaleiros Sagrados, os Cinco Anciões e o próprio Imu, líder do Governo Mundial, além de revelações capazes de mudar tudo o que os fãs achavam saber sobre o mundo da obra. E, à medida que esses segredos vêm à tona, a série parece ter dado uma guinada radical, quase como se nem pertencesse mais ao mesmo gênero de quando começou.
Como a Saga Final mudou o tom de One Piece

Construindo sobre a base estabelecida pela transmissão de Vegapunk no Arco de Egghead, o Arco de Elbaf mergulha ainda mais fundo no Século Vazio e até em períodos anteriores a ele. Essas descobertas chegam por meio de elementos como os textos do Harley, o mural na Árvore Adam e as próprias informações que Imu deixou escapar desde que desceu sobre Elbaf. Quando reunidas, elas dão a impressão de que a história fez um giro de 180 graus, distanciando-se da premissa original de uma aventura marítima ao estilo do século 18.
De aventura pirata a pós-apocalipse
One Piece percorreu um longo caminho desde sua estreia, em 1997. Mesmo com a introdução de seres místicos como o Deus do Sol Nika e a reformulação da fruta do diabo de Luffy pouco antes da Saga Final, a obra ainda não parecia ter se afastado tanto de suas raízes. Isso mudou no Arco de Egghead. As revelações de Vegapunk recontextualizaram o mundo inteiro, especialmente ao mostrar que o Reino Antigo era uma civilização tecnologicamente avançada, capaz de superar até a ilha de Egghead. Some-se a isso a informação inesperada de que o planeta nem sempre foi coberto por oceanos, tendo sido submerso pelo uso excessivo das Armas Ancestrais durante o Século Vazio.
De repente, One Piece deixou de ser uma fantasia despretensiosa para se tornar uma história pós-apocalíptica. O Arco de Elbaf apenas reforçou essa leitura. Os textos do Harley revelaram que o mundo foi destruído não apenas uma, mas duas vezes, enquanto o mural da Árvore Adam apontou para a existência de uma civilização anterior ao Século Vazio e ao próprio Reino Antigo, possivelmente com até 3.000 anos, considerando o antigo laboratório encontrado em Elbaf. Agora, com Imu de posse da Chama Mãe, o mundo da série pode caminhar mais uma vez para a destruição, levando a Saga Final por um rumo que poucos imaginavam.
One Piece sempre foi uma distopia

Por mais que pareça uma mudança brusca de gênero, há sinais de que a obra já era uma distopia havia muito tempo. A Saga Final, na verdade, só está tornando isso evidente. Ainda no Arco de Arlong Park, a série plantou as primeiras sementes de um mundo nem tão cor-de-rosa, com a introdução de marinheiros corruptos como o Capitão Nezumi. Na época, era possível encarar aquilo como um caso isolado.
Logo depois, porém, veio a Saga de Alabasta, com Corsários que recebiam carta branca do Governo Mundial para agir como bem entendessem, mesmo prejudicando civis. Por fim, o Arco de Enies Lobby e o flashback de Ohara escancararam o quanto o Governo Mundial é falho, deixando claro que aquele mundo está longe de ser um lugar pacífico e ameaçado apenas pela pirataria. Na prática, ele se mostrou cruel e opressor para quase todos, exceto os piratas, e isso muito antes de os Dragões Celestiais serem devidamente apresentados. A ideia de que o planeta teria sido submergido de propósito, para isolar e subjugar os povos das ilhas, é mais um traço típico de civilizações distópicas.
Por que isso importa para o final da série
A leitura que ganha força entre os fãs é a de que One Piece sempre escondeu essa face sombria, e que talvez seja exatamente por isso que a Quinta Marcha de Luffy tenha surgido quando surgiu: para aliviar o clima da série o suficiente antes de ela mergulhar de vez na escuridão da revelação completa do Século Vazio. É uma forma de equilibrar o peso emocional do que está por vir com o humor e a energia que sempre marcaram a jornada dos Chapéus de Palha.
Para o público, isso recontextualiza quase três décadas de história. O que parecia uma simples aventura em busca de um tesouro se revela um épico sobre um mundo reconstruído sobre as ruínas de catástrofes passadas. Com Eiichiro Oda caminhando para o tão aguardado desfecho da obra, cada nova revelação ajuda a costurar o grande quadro que a série vem montando desde o início, algo que também deve repercutir na adaptação live-action que segue acompanhando a saga.
E você, sempre enxergou One Piece como uma distopia disfarçada ou foi pego de surpresa por essas revelações? Conta para a gente nos comentários.





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