Supergirl: bastidores expõem o caos por trás do fracasso

Vinicius Miranda

Uma reportagem revelou atritos criativos e cortes rivais na produção do filme. Os problemas do longa da DC teriam começado muito antes das bilheterias.

Era só uma questão de tempo até a imprensa mergulhar no que deu errado com Supergirl. O veículo The Hollywood Reporter publicou uma reportagem reveladora sobre o segundo filme do DC Studios, expondo os bastidores conturbados da produção.

Os trailers já haviam decepcionado o público, e a atriz Milly Alcock enfrentou críticas por comentários polêmicos. No entanto, segundo a apuração, os problemas que levaram o longa a se tornar um dos maiores fracassos de bilheteria do gênero começaram muito antes disso. A seguir, entenda o que teria acontecido nos bastidores desse ambicioso projeto da DC.

Diferenças criativas entre Gunn e o diretor

De acordo com a reportagem, a raiz do problema estaria em um desalinhamento na cúpula criativa. O co-CEO do DC Studios, James Gunn, e o cineasta Craig Gillespie teriam tido diferenças criativas sobre a direção do filme. Segundo múltiplas fontes ouvidas pela publicação, o longa nunca teria encontrado seu rumo durante a pós-produção.

Um informante resumiu a situação de forma direta ao veículo. Segundo essa fonte, dizer que eles “não estavam alinhados criativamente” seria a maneira educada de descrever o clima nos bastidores.

Por outro lado, é importante frisar que outras fontes contestam essa versão. Para elas, o atrito entre Gunn, o produtor Peter Safran e Gillespie teria sido apenas o nível saudável de discordância que existe em qualquer produção. Portanto, há visões divergentes sobre a gravidade do desentendimento.

Quando os problemas começaram a aparecer

Supergirl – Divulgação / DC Studios

Ainda segundo a apuração, a percepção de que algo não funcionava teria surgido cedo. As filmagens terminaram em maio de 2025 e, já no segundo semestre daquele ano, estúdio e diretor teriam notado os problemas.

Os resultados das exibições de teste reforçaram a preocupação. Esses testes são pontuados numa escala de até 100 pontos, e “Supergirl” supostamente nunca teria saído da casa dos 60. Diante disso, Gunn teria chamado o roteirista Jeremy Slater, conhecido por trabalhos como “Cavaleiro da Lua” (Moon Knight) e “Mortal Kombat”.

Enquanto a roteirista original Ana Nogueira seguia envolvida, Slater teria ajudado a escrever cenas para nove dias de refilmagens. Contudo, à medida que a pós-produção avançava, outros problemas teriam surgido, incluindo a trilha sonora.

A polêmica das músicas

A escolha das canções virou um ponto de fricção. Uma versão de “Girls Just Want to Have Fun”, de Cyndi Lauper, teria sido usada na batalha final durante um teste em fevereiro. Tanto essa faixa quanto a cover de “The Middle”, da banda Jimmy Eat World, que foi bastante ridicularizada pelo público, teriam sido escolhas de Gunn, e não de Gillespie.

A disputa dos cortes rivais

Aqui a história fica ainda mais tensa. Dois montadores trabalharam no filme: Tatiana S. Riegel, colaboradora antiga de Gillespie em “Cruella”, e Fred Raskin, a escolha de Gunn, que já havia trabalhado em “Pacificador” (Peacemaker).

As notas dos testes melhoraram lentamente e chegaram aos 70 pontos. No entanto, em vez de continuar refinando aquela versão, o estúdio teria decidido, segundo a reportagem, forçar uma disputa direta. A ideia foi criar dois cortes concorrentes: um de Gillespie e outro do estúdio.

Não está claro quais foram as grandes diferenças, mas uma fonte afirma que a versão de Gillespie era 11 minutos mais longa e mostrava mais o vilão Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts. Curiosamente, quando os dois cortes foram testados, as notas teriam caído bastante. A versão do estúdio venceu, mas supostamente por apenas dois pontos de diferença.

Segundo a publicação, o corte de Gillespie teve boa pontuação em escolhas musicais, ritmo e vilão. Ainda assim, o estúdio optou por levar sua própria versão aos cinemas. Um informante do estúdio, porém, minimizou o caso, afirmando que as diferenças não eram tão acentuadas.

A versão que chegou aos cinemas

No fim das contas, nenhum outro teste foi realizado. Gunn teria escolhido lançar o que era, essencialmente, a sua versão de “Supergirl”. O filme ficou com 54% de aprovação no Rotten Tomatoes e recebeu um “B-” no CinemaScore, nota dada pelo público.

Um cineasta ouvido pela reportagem, que não trabalhou no filme, comentou sobre a prática dos cortes rivais. Segundo ele, esse tipo de disputa acontece mais do que se imagina, mas não é algo normal, indicando que o estúdio se sentia fortemente sobre certas decisões.

A partir daquele momento, diz-se que Gillespie teria de “defender” tudo o que desejava manter no filme. A implicação é que a versão vista nos cinemas não seria a que o diretor queria. Vale lembrar que, embora seja fácil culpar Gunn pela montagem, a análise da reportagem aponta que os problemas também surgiram na fase de roteiro.

O que isso significa para o futuro da DC?

O episódio coloca um holofote sobre James Gunn. Afinal, ele se posicionou como o rosto público da empresa, algo raro para um chefe de estúdio. A adaptação da aclamada HQ “Supergirl: Mulher do Amanhã” (Supergirl: Woman of Tomorrow) frustrou parte dos fãs, que esperavam uma aventura cósmica mais vibrante.

Para o público, o fracasso levanta dúvidas sobre a estratégia do novo DCU. Este era o primeiro filme não dirigido por Gunn, um teste para provar que o estúdio poderia ir além de seus próprios projetos. O tropeço, portanto, aumenta a pressão sobre os próximos lançamentos, como “Cara de Barro” e “Homem do Amanhã”.

Do ponto de vista do mercado, o produtor Peter Safran tentou tranquilizar os ânimos. Em uma rara manifestação sobre um fracasso, ele minimizou o impacto do resultado.

Embora Supergirl não tenha atingido nossas expectativas de bilheteria, é apenas um componente de uma estratégia mais ampla e de longo prazo no DC Studios, na qual continuamos confiantes.

E você, acha que “Supergirl” merecia um destino melhor? Conte para a gente nos comentários!

Confira nossa review de Supergirl:

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