O filme da DC Studios estreou bem abaixo do esperado e deve encerrar sua temporada com um prejuízo milionário. O estúdio mantém o discurso de confiança, mas a pressão sobre os próximos projetos só aumenta.
O novo Universo DC tropeçou feio logo em seu segundo passo nos cinemas. Supergirl teve uma estreia decepcionante nas bilheterias, arrecadando cerca de 38 milhões de dólares nos Estados Unidos em seu primeiro fim de semana. Para um filme deste porte, o resultado acende um sinal de alerta na DC Studios e na Warner Bros. Discovery. Afinal, as projeções indicam que o longa pode terminar sua trajetória com menos de 200 milhões de dólares no mundo todo, um número longe do necessário para dar lucro.
Os números decepcionantes da estreia
Dirigido por Craig Gillespie e estrelado por Milly Alcock como Kara Zor-El, Supergirl somou aproximadamente 68 milhões de dólares globais em sua estreia. O valor ficou bem abaixo das expectativas iniciais, que chegaram a apontar uma abertura doméstica entre 50 e 70 milhões de dólares. Para piorar, a recepção morna entre crítica e público sugere que o filme dificilmente terá fôlego para se sustentar nas semanas seguintes.
Vale lembrar que o cenário é ainda mais delicado por causa da concorrência. O verão norte-americano costuma concentrar grandes lançamentos, o que reduz o espaço para um título que já estreou patinando. Por isso, recuperar terreno será uma tarefa árdua.
Um prejuízo que pode chegar a centenas de milhões

Um único fracasso de bilheteria não derruba uma franquia inteira. No entanto, os valores envolvidos são preocupantes. Segundo a Variety, Supergirl precisaria arrecadar entre 300 e 375 milhões de dólares apenas para empatar as contas. O filme teria custado cerca de 170 milhões de dólares de produção, sem contar o pesado investimento em marketing.
Diante disso, as estimativas de perda variam bastante conforme a fonte, indo de algumas dezenas até a casa das centenas de milhões de dólares. De qualquer forma, mesmo no melhor cenário, a DC Studios deve amargar um prejuízo considerável com o longa. Para um estúdio ainda tão jovem em sua nova fase, é um baque e tanto.
A resposta de Peter Safran
Diante do resultado negativo, o co-CEO da DC Studios, Peter Safran, foi procurado pelo The New York Times e tentou tranquilizar fãs e executivos. Em um comunicado breve, ele reforçou a aposta de longo prazo do estúdio:
Embora Supergirl não tenha atingido nossas expectativas de bilheteria, ele é apenas um componente de uma estratégia mais ampla e de longo prazo na DC Studios, na qual seguimos confiantes.
A fala, ainda que firme, dificilmente esconde a apreensão nos bastidores. Vários relatos apontam que James Gunn esteve diretamente envolvido na produção, inclusive em decisões criativas polêmicas. Por isso, a má recepção tende a aumentar as dúvidas sobre Man of Tomorrow, outro filme com forte presença kryptoniana já previsto para a sequência da franquia.
Fãs “tóxicos” ou problemas do próprio filme?
É aqui que o caso ganha contornos mais delicados. De acordo com a apuração do The New York Times, executivos da Warner Bros. teriam se dito surpresos com a intensidade e o alcance da reação negativa online, acreditando que esse tipo de campanha já tivesse ficado no passado. Parte da imprensa registrou ainda que a atriz Milly Alcock teria sido alvo de ataques na internet, algo que o estúdio associaria a um público hostil.
Por outro lado, é importante apresentar a outra face da moeda. Conforme o The Wrap, cerca de 59% do público era masculino e 65% tinha mais de 25 anos. Em outras palavras, o público-alvo de um filme da Supergirl, formado principalmente por mulheres jovens, simplesmente não compareceu. Além disso, boa parte da crítica apontou problemas de roteiro, participações especiais excessivas e visual pouco inspirado, fatores que independem de qualquer campanha de fãs.
Curiosamente, há um ponto de consenso em meio à polêmica. Tanto defensores quanto críticos do longa elogiaram amplamente a atuação de Milly Alcock como Kara Zor-El. Ou seja, o problema, segundo grande parte das análises, estaria no filme construído ao redor da protagonista, e não na escolha da atriz.
O que esperar dos próximos passos do DCU
Apesar do tropeço, a engrenagem do Universo DC segue girando. O próximo lançamento da DC Studios nos cinemas será o terror corporal Cara de Barro, seguido por Man of Tomorrow, a continuação direta do Superman dirigido por James Gunn, que reiniciou a franquia no ano passado.
Vale destacar que a personagem de Milly Alcock deve ter papel de destaque em Man of Tomorrow. Há, inclusive, indícios de que outro projeto centrado na heroína já estaria sendo desenhado para depois disso. Tudo indica, portanto, que a DC Studios não pretende abandonar a Garota de Aço, mesmo após o resultado ruim. A aposta parece ser usar os próximos projetos do DCU para redimir a personagem aos olhos do grande público.
O que o tropeço significa para o DCU
Por fim, o episódio levanta uma questão incômoda para a nova fase da DC. O sucesso de Superman no ano passado havia gerado uma onda de boa vontade entre o público. No entanto, a sensação é de que essa simpatia se dissipou rápido demais, antes mesmo de a franquia ganhar tração de verdade.
Se Clayface e Man of Tomorrow forem bem nas bilheterias, o tropeço de Supergirl será rapidamente esquecido. Caso contrário, a pressão sobre James Gunn e Peter Safran tende a crescer, junto com a desconfiança dos executivos da Warner. No fim das contas, o Universo DC ainda tem fôlego para se recuperar, mas precisará de acertos consistentes para reconquistar a confiança dos fãs.
Por enquanto, Supergirl segue em cartaz nos cinemas. Resta acompanhar como o público responderá nas próximas semanas e se o longa conseguirá, ao menos, reduzir o prejuízo projetado.
Confira nossa crítica do filme:





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