CEO da Xbox admite: “o negócio não está saudável hoje”

Vinicius Miranda

Não é todo dia que a chefe de uma das maiores marcas de games do mundo descreve o próprio negócio como “não saudável”. Foi exatamente essa a palavra escolhida por Asha Sharma, CEO da Xbox, para resumir a situação financeira da divisão em um comunicado publicado na rede social X — parte do pacote de anúncios que confirmou o maior corte de pessoal da história da empresa, com 3.200 vagas eliminadas ao longo do próximo ano fiscal e 1.600 desligamentos já em vigor.

O diagnóstico por trás do reset

No texto, Sharma foi direta ao apontar o problema central: <cite index=”15-1″>a Xbox opera hoje com margens de três a dez vezes menores do que negócios comparáveis de plataforma e publicação</cite>. Segundo ela, a divisão entrou na atual geração de consoles já em desvantagem, com uma base instalada menor e uma estrutura de custos mais pesada do que a concorrência.

A executiva também colocou números concretos por trás da crise. Em um ano típico, a Xbox perde 64 centavos para cada dólar investido em seus estúdios — uma proporção que ajuda a explicar por que a companhia decidiu redesenhar tanto sua folha de pagamento quanto a forma como distribui investimento entre suas marcas.

Apostas que não deram o retorno esperado

Segundo o comunicado, o crescimento da Xbox nos últimos anos dependia fortemente de três pilares: a expansão do Game Pass, o lançamento de jogos em múltiplas plataformas (incluindo PlayStation) e um portfólio de conteúdo mais amplo. Sharma reconhece que essa estratégia gerou valor real, mas destaca que o ritmo de crescimento ficou abaixo do esperado — um sinal, segundo ela, de que o núcleo do negócio vinha se enfraquecendo e exigiria mais equipes, mais investimento e mais tempo para produzir os resultados desejados.

A CEO aproveitou ainda para citar um fator externo ao controle direto da empresa: o que ela chamou da “crise de hardware mais severa da história” do setor, embora o comunicado não tenha detalhado quais componentes ou cadeias de fornecimento estariam por trás do problema. O momento coincide com aumentos de preço já aplicados pela Microsoft em consoles Xbox em diversas regiões ao longo do ano.

Nem todo estúdio cabe dentro da Xbox

Xbox – Divulgação / Microsoft

Um dos trechos mais reveladores da declaração é o reconhecimento de que a Microsoft não é “o melhor lar para todo tipo de estúdio” — frase que ajuda a explicar por que quatro estúdios (Compulsion Games, Double Fine Productions, Ninja Theory e Undead Labs) estão deixando o guarda-chuva da Xbox, alguns retomando a independência e outros migrando para novos donos. A Arkane Lyon, na França, segue em processo de consulta com seu conselho de trabalhadores para definir seu futuro dentro da estrutura.

O que vem depois do diagnóstico

Apesar do tom duro sobre a saúde financeira atual, Sharma buscou encerrar a mensagem em uma nota de continuidade. Segundo ela, a meta da Xbox é fazer da próxima década de games algo maior, mais global e mais criativo do que qualquer coisa vista até hoje — e a companhia pretende manter o mesmo volume histórico de investimento na marca, mas de forma mais concentrada, disciplinada e direcionada a resultado.

Na prática, isso significa que o dinheiro que sobrar da reestruturação deve se concentrar em um grupo menor de apostas consideradas prioritárias — caso de franquias como Call of Duty, Elder Scrolls, Fallout e Minecraft —, enquanto áreas consideradas de menor retorno seguem sujeitas a cortes adicionais nos próximos meses.

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