Milly Alcock explica o que Krypto representa para a Supergirl

Vinicius Miranda

Na coletiva do Rio de Janeiro, a atriz revelou que o supercão não é apenas um companheiro. Para Kara, ele é a conexão viva com tudo o que ela perdeu.

A relação entre Kara Zor-El e Krypto sempre foi um dos pontos mais aguardados do novo filme “Supergirl”. Nos trailers, o supercão aparece ao lado da heroína em momentos de batalha e ternura. Porém, a profundidade dessa conexão vai muito além do que as imagens sugerem. Em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, Milly Alcock explicou o verdadeiro significado de Krypto na jornada de Kara, e a resposta revelou uma camada emocional que pode definir o coração do filme.

Krypto é o mundo inteiro de Kara

Krypto em Superman – Divulgação / DC Studios

Quando questionada sobre a relação entre a protagonista e o cão kryptoniano, Alcock não descreveu um simples vínculo entre dona e animal de estimação. A atriz foi muito mais fundo.

A relação da Kara com o Krypto é que ele é o símbolo do mundo inteiro dela. Ela é quase um renascimento da mãe no momento em que o encontra. Então, acho que ele representa muito mais do que apenas um animal. Ele é todo lugar onde ela já esteve, toda pessoa que ela já conheceu, tudo o que ela já amou quando criança. E eu acho que todos nós temos essa pedra de toque com pessoas, lugares e coisas que moldam quem somos.

A declaração carrega um peso enorme. Para Alcock, Krypto não é um mascote ou um alívio cômico. Ele é a materialização de tudo o que Kara perdeu: Krypton, sua família, sua infância. Quando ela o encontra, é como se um fragmento do seu mundo destruído voltasse à vida na forma de um ser que a ama incondicionalmente.

Um renascimento materno

O detalhe mais revelador da fala é a menção ao renascimento da mãe. Alcock sugere que, no momento em que Kara encontra Krypto, ela experimenta algo que se assemelha a recuperar a presença materna que perdeu com a destruição de Krypton.

Nos quadrinhos e na HQ “Supergirl: Mulher do Amanhã” (Supergirl: Woman of Tomorrow), que serve de base para o roteiro, a relação de Kara com sua família é um elemento fundamental. Diferente de Clark Kent, que foi enviado à Terra ainda bebê e cresceu com os Kent, Kara tinha idade suficiente para se lembrar de Krypton. Ela lembra do planeta. Lembra dos rostos. Lembra do que perdeu.

Nesse contexto, Krypto se torna o elo físico com esse passado. Ele não substitui a mãe ou a família. Ele carrega a memória deles em sua própria existência. É um companheiro que vem do mesmo lugar, que compartilha a mesma origem. E para alguém tão isolada quanto Kara, isso significa tudo.

A pedra de toque que todos temos

Alcock encerrou sua resposta com uma reflexão pessoal que conecta a ficção ao público. Ao dizer que todos possuem essa “pedra de toque” com pessoas, lugares e coisas que nos moldam, ela universalizou o sentimento de Kara.

Todo mundo tem um objeto, um lugar ou alguém que representa mais do que aparenta. Uma camiseta velha que lembra um verão. Uma música que traz de volta um momento. Um animal que esteve presente nos piores e melhores dias. A ideia de que Krypto cumpre esse papel para Kara humaniza a personagem de uma forma que transcende o gênero de super-heróis.

Krypto no DCU: de “Superman” a “Supergirl”

Krypto filhote – Divulgação / DC Studios

O supercão já foi apresentado ao público no “Superman” (2025), primeiro filme do DCU. No longa de James Gunn, Krypto conquistou a audiência com uma mistura de fofura e poder de destruição. Agora, em “Supergirl”, ele ganha uma dimensão emocional diferente.

Se em “Superman” o cão representava companheirismo e lealdade, em “Supergirl” ele é o último vestígio de um mundo morto. Essa diferença de perspectiva entre os dois filmes reforça o que Peter Safran já havia explicado: cada produção do DCU parte de uma pergunta emocional distinta, mesmo quando compartilha os mesmos personagens.

Por que essa relação pode ser o coração do filme

Filmes de super-heróis costumam definir seus protagonistas por conflitos externos: vilões, invasões, ameaças globais. “Supergirl”, pelo que a equipe criativa vem revelando, constrói sua protagonista a partir de conexões internas. E a relação com Krypto é talvez a mais visceral delas.

Quando Alcock diz que Krypto é “todo lugar onde ela já esteve” e “tudo o que ela já amou”, ela está descrevendo um vínculo que vai direto ao coração do público. É o tipo de relação que faz o espectador chorar sem entender exatamente por quê. Porque não é sobre um cachorro. É sobre perda, memória e a busca por algo que conecte quem somos com quem fomos.

Se o filme conseguir capturar isso na tela, a relação entre Kara e Krypto pode se tornar uma das duplas mais marcantes do cinema de super-heróis. Não pela ação. Pelo sentimento.

“Supergirl” estreia nos cinemas brasileiros em 25 de junho de 2026.

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